Avenida Mangabeira: desafios e necessidades esquecidas em meio a polêmicas

By Victor Rafael jun 18, 2023

Sem calçada e com montanhas de lixo, essa é a realidade de quem passa diariamente no local.

A Avenida Mangabeira, em Barra dos Coqueiros, tem se tornado o epicentro de diversas polêmicas e debates no município. Essa importante via é o único acesso para o Makai Resort e diversos condomínios, como Quintas do Lago, Barra Prime e o Horto da Barra. Com um fluxo constante de carros e pedestres, a avenida está se transformando em um verdadeiro canteiro de obras, devido à quantidade de empreendimentos que estão surgindo em seus arredores.

Durante muito tempo, os moradores enfrentaram dificuldades causadas pela ausência de iluminação pública, o que resultou em uma intensa batalha de cobranças à prefeitura. Felizmente, esse problema foi solucionado após uma longa espera. No entanto, o sentimento de abandono persiste entre os residentes, e alguns políticos utilizam a região como ponto estratégico em vista das eleições municipais de 2024.

Um exemplo disso é o vereador Eduardo Borges, que procura se aproximar gradualmente da comunidade local, buscando visibilidade na região. Entre as suas recentes indicações, destacam-se a solicitação de um tunel de lixo e a instalação de quebra-molas, que se tornaram pautas recorrentes para o parlamentar e são motivos de orgulho e celebração em suas redes. No entanto, a sua mais recente proposta revela um aspecto questionável: a construção de uma passarela de madeira ao lado do Makai Resort, com o objetivo de “possibilitar o acesso da população à praia” (indicação nº024/2023).

Local onde o vereador Eduardo Borges solicitou a instalação de uma passarela de madeira.

Tal medida levanta questionamentos sobre as suas motivações, deixando transparecer uma abordagem mais política do que baseada em necessidades reais. Atualmente, não há impedimentos para que pedestres acessem a praia, exceto por um fator crucial: a falta de calçadas ao longo da Avenida Mangabeira. Os pedestres são forçados a compartilhar o espaço com carros, motos, tratores e caminhões devido à ausência dessas estruturas, o que representa um risco real para trabalhadores e moradores que transitam diariamente na região. Na verdade, calçadas e ciclovias estão presentes apenas em parte da extensão da avenida, até a sua metade.

A situação é ainda mais agravante, uma vez que a avenida se tornou um local para descarte irregular de lixo e entulho e ainda conta com o crescimento descontrolado de matagal ao redor. Lamentavelmente, a via apresenta uma pavimentação completamente deteriorada, aumentando significativamente o risco de acidentes devido aos desvios bruscos que os motoristas são obrigados a fazer para evitar danos aos seus veículos.

Montanhas de lixo acompanham a via sem calçadas.

Ao chegar à praia, logo após o condomínio Horto, a pavimentação simplesmente desaparece, obrigando aqueles que desejam desfrutar da praia a caminhar sobre barro e enfrentar poças de água. É decepcionante constatar que cerca de 300 metros permanecem sem pavimentação, como se fossem ignorados. Em 2022, o vereador Eduardo Borges apresentou a indicação nº121/2022, solicitando à Secretaria de Obras a pavimentação desse trecho, porém, até o momento, nenhuma ação foi realizada ou sequer considerada; caindo no “esquecimento” do parlamentar.

Diante desse cenário, é inevitável questionar se a construção de uma passarela de madeira na praia é realmente uma prioridade, enquanto questões fundamentais como a ausência de calçadas, o acúmulo de lixo e entulho, os buracos nas vias e a segurança da população são negligenciadas. Seria mais adequado que o vereador, em vez de apresentar indicações com teor político, priorizasse a solução dos problemas já existentes antes de propor novas intervenções. 

Lixo se mistura com a lama, pondo em risco a saúde da comunidade.

A verdade é que Barra dos Coqueiros é uma cidade repleta de sonhadores, que tem grandes ideias, porém, falham em transformá-las em realidade. É necessário que se viva um dia de cada vez, cobrando a realização do que não foi feito antes de pensar em novos projetos. Afinal, apenas com uma abordagem responsável e focada nas reais necessidades da população é possível construir uma cidade mais próspera e segura para todos.

Pedestres ainda são obrigados a transitar em meio a máquinas pesadas das obras de empreendimentos.

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