O que um túnel de lixo na praia diz sobre o cenário político em Barra dos Coqueiros?

By Victor Rafael jun15,2023

Acredite, este túnel solitário já foi palanque político.

Barra dos Coqueiros, uma pitoresca cidade costeira que se expande com fervor após a construção da majestosa Ponte Construtor João Alves, tem sido um cenário encantador de belezas naturais e de uma onda de novos empreendimentos, como condomínios de alto padrão e estabelecimentos comerciais que abrangem uma vasta variedade. No entanto, sob a aparência idílica, encontra-se uma realidade política repleta de contratempos. O cenário político local se revela caótico, com representantes pouco preparados e uma administração pública que deixa muito a desejar. Contudo, não podemos atribuir exclusivamente aos políticos atuais essa situação desfavorável, pois essa é uma história de longa data e a responsabilidade é compartilhada.

Basta observar os sobrenomes dos políticos para perceber que vivemos em uma espécie de monarquia coronelista, na qual o poder é alternado apenas entre indivíduos pertencentes às mesmas famílias tradicionais. Pai prefeito, filho prefeito ou vereador, e assim por diante. A cidade parece estar estagnada, sem espaço para novos nomes, e o município segue condenado ao eterno fracasso: as mesmas pessoas, porém com rostos diferentes, conduzindo a administração sem ter um verdadeiro entendimento de gestão, condenando, assim, o futuro da cidade.

Você, sem dúvida, deve estar se questionando sobre a relação entre um túnel de lixo na praia e a política municipal. Surpreendentemente, há uma conexão profunda. Em meio aos mais de 30 quilômetros de praias banhadas pelo oceano Atlântico, aquele túnel é o único recipiente de lixo visível. E, acredite ou não, sua instalação exigiu uma indicação na câmara legislativa, sendo seguida por celebrações nas redes sociais do vereador que se orgulha de ter providenciado tal “inovação”. O vereador em questão é Eduardo Borges, que comemora essa conquista como se tivesse marcado um gol na final de uma Copa do Mundo, expondo, dessa forma, a mentalidade arcaica que permeia a política local.

Aplausos a esse tipo de conteúdo só demonstram mais ainda a carência política pela população.


A escassez de lixeiras não se limita apenas às praias, mas afeta toda a cidade. Elas estão ausentes nos locais mais movimentados, nas principais avenidas. E nos perguntamos: como algo tão fundamental, que deveria estar presente em todos os cantos, pode ser negligenciado? Como é possível transformar túneis de lixo em palanques políticos? A resposta é simples: a cidade ainda vive com uma mentalidade atrasada. A maioria dos políticos não executa sequer o básico e tampouco compreende suas atribuições. Isso é exemplificado pelo próprio vereador Eduardo, que não compreende que a função de um vereador é legislar e fiscalizar. Se a cidade carece de lixeiras, há algo errado com o poder executivo. E se o poder legislativo precisa realizar indicações para a instalação de lixeiras e lombadas e, em seguida, comemora essas ações como grandes obras, algo está seriamente equivocado.

A realidade é que as eleições estão se aproximando, e o eleitorado cresceu, tornando-se mais jovem, reflexivo e decidido. Será que, finalmente, a política municipal avançará, concedendo espaço para o novo e para aqueles que estão verdadeiramente comprometidos com o trabalho? Ou será que repetiremos novamente os erros do passado, condenando assim o futuro de nossa cidade? A resposta repousa nas mãos dos eleitores, que têm o poder de moldar o destino político de Barra dos Coqueiros.

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